terça-feira, 31 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 28

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

Muito obrigado a todos pelos comentários que têm enviado por causa da sinopse do novo livro.

(já repararam como hoje este post começou de uma forma sóbria? Acho que estou a ficar um senhor, talvez mesmo senhor doutor, e quem sabe um senhor doutor engenheiro das letras e pontuação).


Há algo que possui o meu corpo (ainda não percebi se um espírito poltergeistiano, se uma carraça amiga do ambiente) e que me leva a querer compartilhar uma outra versão da sinopse de A Praia da Saudade.


Para dizer a verdade, já que não gosto de mentir, porque quem mente vai parar ao inferno e consta que no inferno o aquecimento global já começou há muito tempo… já me perdi.


Para dizer a verdade, já que não gosto de mentir, ainda não sei se a sinopse que irá entrar na contra-capa do livro vai ser a que foi aqui publicada na semana passada, se uma nova.


Olho para as duas com ternura. Deito-as na cama e tapo-as com uma colcha enquanto canto músicas da Hannah Montana.


Aqui fica a outra versão da sinopse. Qual preferem?


"Portugal, 1964. Salazar proibia a Coca-Cola, a censura amordaçava escritores e a PIDE prendia inocentes. Beatriz e Rodrigo apaixonam-se. Ela de educação católica e membro da Mocidade Portuguesa Feminina. Ele, um defensor da liberdade e crítico do regime.

Em plena ditadura havia apenas uma regra no que tocava às relações: não se apaixonar pela pessoa errada.


Quarenta e cinco anos mais tarde o neto de Rodrigo abre um cofre fechado durante décadas e encontra as cartas de amor trocadas entre os dois. Descobre a história de uma paixão impossível, que tentou sobreviver às pressões sociais de um país mergulhado nas trevas do regime salazarista.


Entre o ambiente de Lisboa nos anos sessenta, a guerra em África e o retrato de uma sociedade com medo, o autor, com base numa história real, escreve um romance emocionante a que nenhum leitor ficará indiferente."

terça-feira, 24 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 27

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

Vou começar a teclar o post de hoje. Neste preciso segundo ainda não sei se irei colocar a sinopse, tal como prometido. Por isso vou teclar mais um bocado para ver se tomo alguma decisão. Porque é que todos os dias quando chego ao meu carro tenho lá sempre um presente deixado por um pássaro? Ele nunca fica debaixo de uma árvore, mas os pássaros olham para ele e devem confundi-lo com um aterro sanitário. Foi lavado há menos de uma semana, mas neste momento já lá estão uns ovos estrelados sem gema.

Ontem estava mesmo convencido que iria colocar hoje a sinopse do livro. Sentia-me ser a Fundação Bill Gates. Uma instituição altruísta a tentar difundir a paz pelo mundo. No entanto, disse que se alguém reclamasse por não ter colocado a sinopse ontem, só iria colocá-la em 2012.

Houve um silêncio generalizado. O que me pareceu bem. Até que comecei a receber umas mensagens no Facebook, da Sofia SC a testar-me. Creio que ela não ficará ofendida se colocar aqui o que escreveu: "Dou-te um doce se tiveres coragem de passares o que prometeste para hoje para o ano 2012...!!!".

Eu, como ser que busca incessantemente pela erradicação da fome e cura para o cancro, declinei de imediato. Mas ela continuou a testar-me. Fez mais três comentários onde insitiu. Eu simpaticamente voltei a declinar.

Hoje voltou a escrever: "Dou-te um Toblerone daqueles que pesam 1kg se o resumo do livro passar para 2012, aliás, subo a parada dou-te esse mesmo toblerone se conseguires adiar a promessa até dia 14 de Maio." Muito bonito. É devido a pessoas como ela que há guerra no Darfur e carjacking. Pessoas que nos tentam desviar dos caminhos da fé.

Mas como sou uma pessoa de bem é óbvio que… ainda não sei se não irei aceitar a oferta. Afinal de contas um quilo de chocolate é um quilo de chocolate. Não se ponham a olhar para o ecrã com essa cara. Aposto que fariam o mesmo.

Por isso vou publicar este post, sem a sinopse. Vou deixar esse assunto entregue ao destino. Se ele quiser que seja publicado, Jesus Cristo mandará um dos seus secretários colocá-lo. Afinal de contas Jesus tem a password de todos os blogs.

Se a seguir a estas palavras estiver a sinopse é porque o destino assim o quis. Se não estiver aqui nada é sinal que eu vou ganhar o chocolate de um quilo.

"A história de uma relação proibida que seria perfeita 45 anos mais tarde.

Uma paixão que lutava pela liberdade, enquanto a guerra afundava o país.


Portugal 1964. Salazar proibia a Coca Cola, a censura amordaçava escritores e a Pide prendia inocentes.

Em plena ditadura, havia apenas uma regra nas relações: não se apaixonar pela pessoa errada.

Portugal 2009. Um documento escondido num cofre durante décadas. A sua descoberta revela a história de uma paixão impossível, que em 1964 era bombardeada pela censura, hipocrisia e moral católica duvidosa.

45 anos mais tarde poderá ainda haver um final feliz? Ou será tarde demais?"

segunda-feira, 23 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 26

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

Este fim-de-semana correu bem. Há que anseie por chegar a sexta-feira para poder ganhar o euromilhões. Eu não, se ganhasse daria tudo à caridade, nomeadamente à obra de caridade que eu tenciono criar quando ganhar o euromilhões. Como vêem, sou um homem que sente que só pode ganhar dinheiro se trabalhar arduamente.


No Sábado abriu-se mais uma porta na minha vida profissional. Não sabia, mas fiquei a saber que terei futuro como dealer do mortalhas e haxixe, depois de ter estado no Underground Lisbon, um bar/discoteca/conceito muito cool, dentro do piso -1 do parque de estacionamento do Marquês de Pombal.


Ao fim de vinte segundos de lá ter entrado chega um tipo ao pé de mim e pergunta-me: "tens uma mortalha?". Trinta minutos depois: "Tens mortalhas?". Quarenta minutos depois: "Do you have mortalha?". Até um estudante do Erasmus mirava-me com os olhos enternecidos de um pupilo que venera o seu mestre. Todas estas pessoas acharam que eu tinha presença, personalidade, de dealer de mortalhas e derivados. (relatei estes acontecimentos em directo via twitter)


E foi aí que tomei uma decisão que poderá mudar para sempre a minha vida: se o meu próximo livro for um fracasso, vou dedicar-me ao comércio de import-export. Se tudo desabar sei que serei rei no comércio da venda e aluguer de mortalhas.


Quem sabe se eu não poderei a vir a ser o Pablo Escobar português? Francisco Escobar… soa-me bem. Quem sabe…?


Ah, é verdade! Era suposto eu hoje colocar aqui o resumo do livro. Era. Mas não vai acontecer. Poderia mentir, dizendo que é devido a questões técnicas alheias a mim. Poderia dizer que o culpado é o Lucílio Baptista. Poderia dizer que apanhei na cabeça com a medalha atirada pelo Pedro Silva e fiquei com amnésia. Mas não. Hoje o resumo não estará aqui porque a Terça-feira pediu-me para ter essa honra. E quando um dia da semana fala comigo, eu aceito.


Se receber algum mail a reclamar, passo para quarta, ou mesmo quinta... de 2012.


PS comentários: Margarida P: fiquei com dores de barriga de tanto me rir. espero que o teste tenha corrido bem; Verida: fico contente por eu ter contribuído para ser melhor pessoa (ver comentário da Margarida P); João Rodrigues e Sara: Boa!; Sofia SC: eu levo o grelhador e as sardinhas

sexta-feira, 20 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 25

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

Muito bonito. Ando para aqui a teclar com quase dez anos de antecedência a dar a conhecer o dia de autógrafos na Feira do Livro, de Lisboa, e já há desistências. Há quem não venha porque é do Porto, há quem comemore o dia do casamento, há quem esteja nos Estados Unidos. Desculpas. É o que vos digo. Se me dissessem que estavam junto do Obama a tentar resolver a crise, ainda percebia. Se dissessem que estavam a caminho de Marte para solucionarem o aquecimento Global, tolerava.

Sabem qual a vossa sorte? Eu não ser vingativo. Se eu fosse vingativo, envia-vos um mail com vírus onde teriam de ouvir, o dia todo, as músicas do Nel Monteiro com a Andreina. Depois disso queria ver quem dizia que não aparecia. Armavam no Parque Eduardo VII uma tenda no dia anterior e assim que me vissem berravam tanto que por momentos pensaria que estava nos anos 80 e era o Jon Bon Jovi.


O que vale é que há centenas, a caminhar para os milhares, de pessoas que disseram que vão. A partir de hoje vou começar a treinar o pulso, porque a caminho dos 80 anos de idade vai dando para ficar com menos cálcio nos pulsos e ele pode partir-se.


Ah, é verdade. Na segunda vou colocar aqui a primeira sinopse do livro. Não comecem já a dizer: "ah pois, na segunda não dá porque tenho de ir passear o meu patinho à fonte do Jardim da Estrela."

segunda-feira, 16 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 24

www.franciscosalgueiro.blogspt.com


Data certa para o lançamento do livro… ainda não sei. Podia até saber, fingir que não sabia, apenas para dar suspense, e lá pelo fim do post desvendava. Mas não sei mesmo. Para já, tudo o que sei é que tenho 1m77 e peso entre os 72 e os 75 (conforme a quantidade de Cerelac que como de manhã).


Também sei uma outra coisa, mas que o Papa me pediu para não divulgar. Por isso, sobre essa nada direi. Apenas posso dizer que vou estar a dar autógrafos na Feira do Livro, de Lisboa, no dia 15 de Maio, às 19:00.


"Tchiiii… ainda falta muito." Se este foi o vosso pensamento, deixem-me que vos diga que estou a dar a data com tanto tempo de antecedência, para depois não virem dizer "Ah e tal, não deu." Não deu o caraças, porque não acredito que hoje já tenham alguma coisa programada para o final de tarde do dia 15 de Maio.


Por isso nada de desculpas, senão ainda vos obrigo a ouvirem o dueto entre a Hannah Montana e os Jonas Brothers.

sexta-feira, 13 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 7

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

(continuação do post de quinta)

As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 7

Quando escrevi FIM fiquei a olhar para o monitor como se fosse um espantalho. Não tinha absolutamente nenhuma reacção a não ser sentir a minha cara completamente encharcada em lágrimas.

Habitualmente, quando acabo de escrever um livro, quando escrevo FIM, danço sozinho durante uns segundos (por favor não contem nada a ninguém, fica só entre nós, não é um momento bonito ou que me orgulhe). Com A Praia da Saudade não conseguia obter a alegria de tê-lo acabado. Queria continuar a seguir a história daquelas personagens. Queria saber o que lhes teria acontecido.

Fui para a cama com uma estranha sensação de tristeza, misturada com o sentimento de ter escrito o meu melhor livro. Um livro diferente de todos os outros que escrevera. Se o Amei-te em Copacabana tinha sido diferente dos anteriores este ainda era mais. Uma história onde dedico mais tempo à construção das personagens, e onde a cada novo capítulo vai sendo mais difícil deixar de querer saber o que vem a seguir.

E assim surgiu A Praia da Saudade.

The End

quinta-feira, 12 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 6

www.franciscosalgueiro.blogspot.com


(continuação do post de quarta)



As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 6


Sabem aquela sensação que se tem quando vemos uma namorada pela última vez. Aquele momento em que depois de se ter acabado, e depois da última palavra sabe-se que nunca mais se vai ver aquela pessoa, apesar de não se verbalizar isso?


Tal aconteceu-me uma noite em casa do meu pai. Depois de mais uma sessão, eu sabia que elas não iriam voltar a existir. Apesar disso, despedimo-nos marcando mais uma sessão.


Mal cheguei a minha casa e comecei a teclar. Tão depressa e tão focado como nunca me tinha acontecido.


Eram umas 3 da manhã. Estava cansadíssimo. Não me apetecia teclar. Liguei o computador por descargo de consciência e pensei "vou só escrever uma ou duas páginas."


Assim que coloquei o primeiro dedo no teclado senti-me possuído por um espírito (espero que ele apareça muitas vezes porque nunca me tinha sentido tão inspirado a escrever). Sentia que o meu corpo estava a ser usado como meio para a história aparecer escrita no computador. Era apenas para isso que ele servia. A história existia e precisava que alguém a escrevesse. Nessa altura ainda não sabia se faltaria muito para ser acabada.


Escrevi, escrevi e escrevi. A minha cabeça via o filme da parte final da história a decorrer como se não fosse eu a criá-la. Como se eu fosse um espectador passivo de algo que alguém me estava a contar.


A banda sonora do filme era o barulho dos dedos a bater nas teclas (quando é que alguém faz um teclado que não pareça uma rebarbadora?). A história começou a desenrolar-se naturalmente e fui envolvido por uma tristeza enorme. Era uma tristeza que previa que a história estava a acabar, mas ao mesmo tempo uma tristeza por aquilo que iria acontecer no final.


Eu queria parar de escrever para poder saborear a escrita durante mais alguns dias, mas ao mesmo tempo sabia que não podia parar. Ela tinha de sair exactamente da maneira que estava a sentir naquele momento.


À medida que me fui aproximando no final comecei a chorar. Lutava contra a s lágrimas porque os meus olhos não têm limpa para brisas, mas ao mesmo tempo perguntava-me como podia estar a chorar com uma história escrita por mim…



(to be continued)


Ps comentários: Dora: pois parece que sim, lá foram umas lágrimas; Moonlight: pelo menos três toneladas de lenços; Zana: é o chamado cliffhanger; Maria: sim, é muito importante e às vezes as pessoas não dão o devido valor à liberdade que têm e acham que no passado também seria assim; Verida: nem sei bem o que lhe diga, apesar de eu não me emocionar com assuntos familiares, a história é mesmo… (não vou dizer o resto); Joana Godinho: sim, este é num tom bem mais sério, mas a história flui.

quarta-feira, 11 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 5

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

(continuação do post de terça-feira)

As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 5

Ao mesmo tempo que escrevia, sempre que regressava de casa do meu pai vinha mais pesado uns 10 quilos. Nos meus braços eram depositados livros, revistas, jornais e dvds sobre a ditadura. Desde os primeiros minutos até à entrada dos tanques no Largo do Carmo.

Ao mesmo tempo que escrevia, ia lendo, vendo vídeos e pesquisando, e isso ia enriquecendo cada vez mais a história. Cada hora que passava escrevia mais páginas e ia batendo o meu recorde do número de páginas escritas por dia.

Durante seis horas de seguida teclava tanto que os meus dedos devem ter perdido uns milímetros.

Ao fim das habituais seis horas diárias, sem um minuto de descanso, sentia sempre a necessidade de entregar os meus neurónios a massagistas tailandesas.

Ficava com a cabeça completamente queimada, ia para a cama, e poucas horas depois (quem me segue habitualmente no twitter sabe que eu durmo por semana aquilo que uma pessoa normal dorme numa noite, vivendo sempre em jet lag) acordava cheio de vontade de pegar na história. Mas tinha de manter o ritual. Falar com o meu pai, ler livros sobre a época, ver vídeos sobre a época, pesquisar na internet e só depois, quando já estava escuro é que começava a teclar.

Obviamente que durante esse tempo ia ligando para a Torre do Tombo para saber se já havia alguma resposta sobre os documentos que eu pedira. A resposta era sempre a mesma "Os pesquisadores estão com muito trabalho e ainda não chegaram a esse processo."

Nessa altura pouco me importava com isso. A história já existia. A história estava praticamente toda feita. Os documentos que viesse a descobrir apenas poderiam complementar algo que tivesse escrito.

Quando estava já com cerca de 200 páginas escritas aconteceu aquilo que eu nunca pensei que me viesse a acontecer…

(to be continued)

terça-feira, 10 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 4

www.franciscosalgueiro.blogspot.com


(continuação do post de segunda)


As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 4


Ao longo das semanas seguintes, as conversas com o meu pai começaram a tomar vida própria e pareciam um texto com hiperlinks. Cada nova história dava a azo a novas histórias. Em pouco tempo passámos da experiência dele, para as experiências do meu avô, dos locais onde tinha estado preso, como a família lidara com isso, da visita da Pide lá a casa, e a outros antepassados da família.


Subitamente a história estava a ter uma amplitude e consistência que jamais esperava que fosse ganhar, sobretudo na noite que escrevera o esqueleto.


Cada vez que saía de casa do meu pai, por volta das duas da manhã, ia para casa escrever, a maior parte das vezes não sobre o que tinha ouvido, mas inspirado naquilo que tinha ouvido. Pequenos pormenores que o meu pai me contava davam lugar a histórias criadas do zero, misturadas com factos passados com ele ou com os meus avós.


Aos poucos a história estava a tornar-se numa mistura de ficção, mas com momentos totalmente fieis à realidade.


Ao longo do livro, começaram a aparecer situações com nome de pessoas ligadas à ditadura em situações que aparentemente parecem ser ficção, mas que se passaram na realidade com a minha família.


Dia após dia ia-me envolvendo com a história, de uma maneira como nunca me tinha envolvido com nenhuma história de nenhum livro que escrevera.


Pela primeira vez, um livro meu não tinha absolutamente nada de auto-biográfico, mas identificava-me mais com este livro do que com qualquer um dos anteriores, incluindo com o Homens Há Muitos.


Todos os dias queria voltar para o computador de modo a saber para onde a história daquelas personagens me iria levar.


E foi, mais ou menos a meio da escrita do livro que me veio o título do livro. A Praia da Saudade. Inicialmente era para significar algo, mas no dia seguinte passou a ser exactamente o oposto e veio a modificar completamente o rumo da narrativa. E pela primeira vez chorei ao escrever um livro.

(to be continued)

segunda-feira, 9 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 3

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

(continuação do post de domingo)


As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 3

Mais ou menos na mesma altura em que comecei a ter longas conversas com o meu pai sobre os anos da ditadura, e as vivências dele e do meu avô, fui até à Torre do Tombo. Tentava encontrar algum material secreto da Pide sobre o meu pai e sobre o meu avô, que pudessem complementar os relatos que ele me fazia.

Se durante a escrita do Amei-te em Copacabana me tivessem dito que iria passar horas e mais horas e ainda mais horas na Torre do Tombo a fazer pesquisas eu cairia para o lado a rir-me tanto que ficaria com cãibras.

Mas o livro estava a tomar conta de mim (uau… que belo cliché) e sentia que queria enriquecê-lo o melhor possível (isto hoje está bonito, com tantos clichés). Só que tentar obter documentos da Pide na Torre do Tombo é mais complicado do que conseguir uma audiência com o Obama.

Para além de ter preenchido milhares de papeis com requisições para justificar o porquê do meu interesse naquelas duas pessoas, disseram "se tivermos alguma coisa sobre estas pessoas só saberemos daqui a uns 3 ou 4 meses." "Três ou quatro meses??!" Berrei para o senhor da sala de leitura da Torre do Tombo. Não berrei mas tive vontade, porque senti-me intimidado. Sempre que respirava mais profundamente alguém na sala dizia "shhhh." Se tivesse berrado "Três ou quatro meses??!", teria apanhado com um livro na cabeça e ficado com amnésia.

Resignei-me e fui-me embora, sabendo que o livro iria estar pronto muito antes desse tempo. A informação que o meu pai estava a dar-me não podia arrefecer dentro da minha cabeça.

Durante algumas semanas, à noite, fui para casa do meu pai ouvi-lo falar sobre, sobretudo, os anos 60. Ao princípio nem eu nem ele sabíamos bem por onde começar. Apesar de ter o esqueleto do livro, ele podia ser colorido de muitas maneiras.

Tínhamos de começar de algum lado e arrancámos com a experiência dele nessa altura: as manifestações que tinha participado contra o regime, como tinha sido viver com uma pessoa que lutava activamente pela liberdade mas que era preso ou tinha livros apreendidos simplesmente porque Salazar achava que esses livros eram más influências para os portugueses, a experiência na guerra em Angola, e como apesar de ter sido um dos melhores alunos de medicina lhe tinham proibido de exercer medicina em Santa Maria porque diziam que não era uma pessoa de confiança para o regime.

Foi uma sensação estranha. Senti que ele dizia muitas coisas que não verbalizava há décadas. Senti-me a vasculhar a intimidade do meu pai

(to be continued)


PS Comentários: Joana: muitos parabéns pelo 17 (glad I could help); CC- claro que o novo livro também poderá ser comprado na loja e com autógrafo; quanto ao meu endereço no hi5 não sei, faça um search e eu apareço duas vezes, ambas verdadeiras; Dora: todos os dias mais um bocadinho do texto; Escrava e Verida: Abril está quase.

domingo, 8 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 2

(continuação do post de sexta feira)


As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 2


No dia seguinte a ter escrito todo o esqueleto do novo livro tinha um grande problema. Não do tamanho da estátua do Marquês de Pombal, mas algo que se aproximava do tamanho do Empire State Bulding: o livro ia passar-se durante a ditadura. Algures entre 1950 e 1970.


Ia ser o primeiro livro, que escreveria, que decorreria numa época em que eu ainda nem sequer fora concebido. Ou seja, teria de fazer pesquisa propositada. Normalmente todos os meus outros livros tinham apenas experiências que eu vivera, ou que me tinham contado, em épocas que eu conhecia bem.


Neste novo livro poderia estar perante um fracasso tipo Space Shuttle. Talvez tenha sido esse medo de falhar numa contextualização temporal que sempre me levara a escrever sobre décadas que eu conhecia bem.

Solução: falar com o meu pai. E por várias razões:


1) Ele tinha vivido essa época, tinha ido à guerra em Angola, e lutara contra a ditadura;

2) O meu avô fora um editor muito importante, durante os anos da ditadura, tendo sido preso algumas vezes e participado em manifestos para a instauração da democracia;


Não só o meu pai iria ser o meu contextualizador da época, como mais tarde vim a perceber que muitas das histórias que se passaram com ele e com o meu avô eram demasiado ricas para não serem utilizadas no livro.


Obviamente que devido a este meu passado familiar, encontrava-me bastante familiarizado com o que acontecera durante a ditadura, mas faltavam os pormenores. E foram eles que o meu pai me foi dando ao longo de dezenas de sessões de várias horas.


Esses seriam os pormenores que iriam colorir todo o esqueleto que eu tinha criado. O esqueleto sobre uma história de amor passada na ditadura. A história de um amor impossível, mas que seria perfeita em 2009.

(to be continued)

sexta-feira, 6 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 1

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

A segunda pergunta que mais vezes me fazem em relação aos meus livros é: "Como é que tiveste a ideia para essa história? "


A pergunta que mais vezes me fazem é: "Sabes uma coisa? A minha vida dava para escreveres um livro. Nem imaginas as coisas que me acontecem. Ia ser um best seller" (depois entram em modo maratona verbal e as histórias são, na maior parte das vezes, tão banais que nem poderiam ser publicadas num panfleto). Se por cada pessoa que me tenha feito esta pergunta eu ganhasse ¼ de cêntimo, hoje tinha o Bill Gates como meu empregado doméstico e agora estava a engomar-me a roupa interior.


Normalmente os livros aparecem na minha cabeça de maneiras variadas. Uns são escritos com base na raiva, outros na paixão, outros no entretenimento. Todos chegaram até mim de formas sempre diferentes. Uns foram sendo criados há medida que os escrevia, mas outros eram partos mais difíceis que me obrigavam a pensar muito sobre o passo seguinte.


"A Praia da Saudade" é o livro pelo qual tenho o maior carinho de todos. É como se fosse uma mulher que entrou na minha vida de uma maneira tão subtil que antes de perceber que estava apaixonado já a amava.


Tudo começou numa noite quando estava deitado. Tinha acabado de escrever o "Amei-te em Copacabana" umas 4 semanas antes e os meus neurónios precisavam de férias sabáticas.


Só que, sem eu saber, eles tinham continuado a trabalhar num processo de associação livre, onde reuniram pedaços de histórias e fragmentos, que nessa noite se juntaram e tocaram na campainha do meu consciente. Nos primeiros minutos fingi que não ouvi (tal como faço quando batem à porta de minha casa testemunhas de Jeová). Mas já aprendi que quando a inspiração surge, não pode ser desperdiçada.


Levantei-me de imediato da cama e num processo entre a hipnose e o transe de ecsatsy, em 5 minutos fiz o esquema do livro numa folha A4. Desde o início até ao final. Foi algo que nunca me tinha acontecido. Em apenas 5 minutos todo o esqueleto do livro estava feito.


Fui para a cama tão feliz como na noite em que perdi a virgindade


(to be continued)



Ps Comentários: Escrava- O Slash e os Oasis podem ser ricos, mas pelo menos são mais feios do que um lobisomem sem maquilhagem; Joana- :-); Sofia SC- Eu sou um democrata, só que quando esse nome entra no blog transformo-me no fantasma do Salazar; Dora- Passe a palavra porque quero ver soutiens atirados no dia do lançamento; Verida- A sensibilidade tinha estado num reformatório e saiu para escrever este livro (mande sempre mail para aqui, meu site, hi5 ou facebook. Não posso responder no twitter porque senão as respostas são sincronizadas para todos os sites onde tenho o twitter)

quarta-feira, 4 de março de 2009

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 15

www.franciscosalgueiro.blogspot.com


Se ao oitavo mês de gestação, Deus me tivesse feito uma visita dentro da barriga da minha mãe, a minha vida teria sido completamente diferente:


Deus: Meu filho, o que queres ser quando fores grande? (sim, Deus é poliglota e fala várias línguas, incluindo português sem sotaque do Brasil)

Eu: uéééé* (* tradução: uma guitarra eléctrica)

Deus: Isso sim. É um pedido digno. Vou transformar-te numa guitarra e serás tocado pelo Slash.

Eu: uéé uéé (*tradução: boa)


Mas como ele foi preguiçoso ou a minha mãe não lhe deu permissão para falar comigo, com medo que quisesse dar uma volta pela Praça do Império ou numa casa em Elvas, hoje sou um mero mortal e não uma guitarra eléctrica. Estou triste, porque a minha vida teria sido bem mais excitante e hoje estaria à venda do eBay, porque o Slash precisaria de dinheiro para a coca.

Já que não fui uma guitarra dei por mim a escrever livros. Muito excitante. Onde já se viu fãs atirarem com soutiens para cima de um escritor? Sou mais bonito que os irmãos Gallagher dos Oasis e a eles atiram-lhes com soutiens. Eu, tenho de me contentar com os raios que saem do monitor do computador.


A vida é mesmo injusta.


Mas temos de nos contentar, não é? Seria bem pior se eu tivesse nascido uma silva, ou uma pulga e vivesse num cão rafeiro que se alimenta de restos de comida fora do prazo de validade.


Felizmente há algo de bom na minha vida, recebi toneladas de reacções muito positivas, em relação ao título do livro, via blog, facebook, hi5 e twitter.


Ao longo dos próximos dias começarei a falar um pouco sobre o livro. Incluindo resumo, publicação de alguns capítulos e a certidão de nascimento onde se vê claramente que eu sou o herdeiro da coroa britânica.


PS Comentários: Sofia SC- espero que nunca mais ouses falar no nome desse senhor de risca ao meio, no meu blog; Rita- se te parece bem, ainda vai parecer melhor o conteúdo; PCruz - pelo menos, eu fartei-me de chorar; Joana Godinho- este é muito mas muito melhor do que o Amei-te em Copa; Dora e Sara- ainda nada de capa. Assim que tiver coloco-a aqui; Patrícia- boa leitura; Escrava- está quase, mesmo quase; Margarida- em cheio no título… mas foi enviado depois de eu publicá-lo… guardas lancem os cães.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O TÍTULO DO NOVO LIVRO

www.franciscosalgueiro.blogspot.com


As gaivotas batem palmas. Os cães miam. As focas relincham. O mundo está feliz. O título do meu novo livro é:



A PRAIA DA SAUDADE

DIÁRIO DO NOVO LIVRO - DIA 14

www.franciscosalgueiro.blogspot.com

AH! AH! Julgavam que apareciam aqui e já cá estava o título do livro. Pois sim, também eu gostava de ganhar o euromilhões, só que o máximo que me saiu foram 8,76 euros. Não dá sequer para comprar um corta-unhas.

Às 23 horas, em ponto, quem aqui vier saberá finalmente o título do livro que me leva a chorar sempre que o leio.

(isto claro, se entretanto não formos invadidos por extraterrestres a espumar da boca)

PS- Este post serve só para criar suspense. Eu já sei o título do livro desde o dia em que o comecei a escrever… há mais de 8 meses.