sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SOU UM PARALÍMPICO

É oficial: fui contactado pela Federação Portuguesa de Paralímpicos como convidado de honra da equipa portuguesa.

Deixaram ao meu critério escolher qual a modalidade em que quero participar. Estou seriamente a pensar em ir para ginástica rítmica, para abanar as maças e a fita. É um sonho que tenho desde criança. Primeiro quis ser o Mozart, mas depois passei a desejar ser artista de ginástica rítmica. Sempre achei que me dava um ar másculo.

E sabem porque é que recebi o convite?

1) Como disse, há umas semanas, tenho o tímpano do ouvido esquerdo furado (eu acho que é um imigrante ilegal alojado no pavilhão auricular. Quando disse isto ao otorrino ele olhou para mim como se tivesse afirmado: “Pstttt… não diga nada a ninguém mas fui eu que raptei a pequena Maddie. E já agora o meu nome não é Francisco, mas pequeno Frannie.”)

2) Há poucos dias também contei que caí das escadas e neste momento ainda sinto ter um irmão siamês a nascer do meu cotovelo direito (apesar de ser de origem africana), e umas nádegas que fazem com que ande a ser perseguido pelos guarda costas da J Lo para me raptarem, cortarem-nas com um bisturi e transplantarem-nas.

3) Esta aconteceu-me ontem à noite: decidi armar-me em engenheiro electrotécnico, arraçado de técnico de computadores e abri o meu PC para limpá-lo. Tirei parafusos, meti porcas, limpei… olhei para o meu dedo mindinho da mão direita, e de dentro dele saía o sangue de Cristo. Eram desperdiçadas gotas que provavelmente no ebay poderiam ser vendidas a 10 dólares como base de licitação.

Tinha duas hipóteses: cortá-lo para a gangrena não alastrar para o resto do corpo, ou ia lavá-lo e ver como as coisas corriam. Decidi lavá-lo, porque nunca se sabe se um dia não precisarei de utilizá-lo para pagar o meu resgate se for raptado por um comando sunita. Mal o lavei fiquei horrorizado. Não era um simples corte. Tinha a profundidade do Grand Canyon… bem, mais ou menos… quase… pelos menos o naco de carne que saiu daria para alimentar um aldeia africana durante um ano.

Ou seja, neste momento faltam-me uns centímetros do dedo mindinho.

Desejem-me sorte porque vou, agora mesmo, embarcar para Pequim. Vão ver como irei representar Portugal com orgulho e dedicação, dançando de latex, com a fita na mão, ao som do Boys, boys, boys da Sabrina.

Já agora, peço ao nosso presidente que também proíba o tráfego aéreo por cima da minha casa, porque com a sorte que tenho tido, o mais certo é se passar uma avioneta, irá soltar-se a hélice, que vem directa ao meu dedo, lasca a unha, que salta para o olho, cegando-o, e com a dor dou um berro tão alto que fico surdo.

Mas tenho de ver as coisas pelo lado positivo. Pelo menos não sou uma agência do BES. Porque se fosse, e com a sorte que tenho tido em mazelas, não entravam em mim dois assaltantes brasileiros, mas sim dois elementos da Al-Qeda, que fariam explodir uma bomba. Provocaria uma derrocada, o prédio cairia em cima de mim, e eu não morria da explosão mas do peso dos destroços, e de forma lenta.

PS - Juro… juro… juro que no próximo post falarei mesmo sobre o estado do livro.
PS Comentários - Sofia: Não sei porque mudei o nome de Thunderbird para Pyto. Realmente Pyto é muito mau. Thunderbird dá um ar digno. Um ar de Presidente que é simultaneamente rei. Miguel Costa: Era uma óptima ideia meter as várias hipóteses para o título do livro, só que já o tenho e estou apaixonado por ele (podia ser pior, podia estar apaixonado por um fóssil de uma beterraba)
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