terça-feira, 26 de agosto de 2008

O FREDDY KRUEGER NO MEU QUARTO


Há uns dias escrevi a dizer que era o Michael Phelps. Como é óbvio isso é impossível. Eu tenho o tímpano furado e não posso pôr água no ouvido. Espero que não tenham acreditado nisso. Porque na verdade eu sou o Nelson Évora branco. Esta manhã bati o recorde do triplo salto

Enquanto espero por uma resposta da Oficina do Livro em relação à data de lançamento do novo livro, vim passar uns dias à Serra da Estrela.

Esta madrugada estava a dormir (uma e meia da tarde) quando de repente tive um pesadelo. Levantei-me imediatamente da cama e dei um triplo salto tão grande até a casa de banho, que se o Nelson Évora me tivesse visto, ajoelhava-se aos meus pés e dava-me a medalha de ouro que ganhou.

Cheguei à casa de banho e suava. A minha cara parecia ter sido atingida por um maremoto. Tinha sonhado com a Celine Dion. Passei a cara várias vezes por água... e... oh não... ela perseguia-me. Pelos meus ouvidos entrava a música do Titanic, em versão instrumental, mas com uns arranjos de acordeão e em ritmo pimba.

Dei dois estalos em mim para acordar. Enfiei a escova de dentes nos olhos, mas não acordava. E se não acordava é porque devia estar acordado. E se a música não era um pesadelo, devia existir mesmo. Abri a janela da casa de banho e a olhar para mim, a menos de 3 metros, estavam 5 senhores com barrigas tão grandes que na sombra deles deviam estar menos 7 graus.

Eles bebiam vinho e falavam muito contentes. Logo de seguida começou a tocar a música do genérico do Twin Peaks, também em versão pimba. O meu coração continuava em ritmos preocupantes. O Twin Peaks em versão pimpa... isso é o mesmo que existir um Estrumfe vermelho.

Acabou a música e ouvi a voz de um senhor dizer “estão a divertir-se?”. Desci imediatamente as escadas e entrei em modo CSI: Manteigas. Fui investigar o que se passava e descobri que era o Baile da Liga dos Combatentes, e que se realizava na Associação Recreativa Filarmónica Popular, localizado a 3 metros do meu quarto.

Como cabeça de cartaz uma celebridade local: o Júlio Iglesias da terra. Um pouco mais velho, mas mesmo assim um quebra-corações: o Sr. Ascensão, electricista, e que chegou às fases finais da Família Superstar. Só não ganhou porque o órgão estragou-se e não quis pôr em causa a qualidade artística.

Ele foi o cabeça de cartaz durante o resto da tarde... e em dueto com a sua filha, numa versão que fazia lembrar os bons tempos da família Malhoa, antes da Ana se ter transformado na She Man.

Cantaram músicas do Emanuel, Toy, Quim Barreiros, Ruth Marlene e Tony Carreira. Assim ouvi “gosto de mamar nos peitos da cabritinha”, “aperta com ela”, “coisinha sexy” e outras músicas emanadas a poucos mais de 3 metros de mim, sem que os pudesse mandar calar, senão seria linchado.

Mas pelo menos há males que vêm por bem. No meio disto tudo consegui perceber que a minha verdadeira vocação não é a criação de unicórnios, como sempre julguei, mas sim o triplo salto.


PS Comentários: Dora: 50 episódios já dá direito a Enfermeira Chefe; Licas: o segundo foi logo no dia seguinte num país que tem um nome tão esquisito que o Word não me deixa escrever; Miguel: ainda bem que ele não disse o que fica a fazer na caminha; Fábio: foge da Angelina, ouvi dizer que ela tem chatos; Su: isto fica entre nós… shhhh… muitas novidades para a semana; Sofia: isto fica entre família… shhhh… vê o que escrevi à tua prima; Dora: nesse dia passo a auto-denominar-ne de Tenente-Coronel-General-Barão.

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