sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PERDI A VIRGINDADE NA ALDEIA


Hoje publico um post que deveria ter entrado no fim-de-semana passado, mas que por razões técnicas alheias à minha vontade (estive a ressacar) só hoje pode estar aqui:


Onde é que estão as farturas? Desde esta manhã que a minha traqueia está com desejos eróticos por uma fartura e não as encontro em lado nenhum. Se não descobrir uma rapidamente tenho a certeza que a traqueia vinga-se em mim. E uma traqueia furiosa tem um poder devastador. Como é que eu sei? Simples. Sou jornalista de investigação e consultei fontes credíveis (ex: wikipedia).


Estou a escrever este post directamente no telemóvel porque não sei se irei sobreviver. Sinto-me o atleta português dos 200 metros Arnaldo Abrantes “Entrar neste estádio cheio bloqueou-me um pouco.” Não sei se o corpo aguentará com tanta emoção.

Caso encontrem este telefone e eu estiver morto, peço a quem o descobrir que publique estas linhas no blog franciscosalgueiro.blogspot.com. Obrigado.

À minha frente tenho um palco montado mesmo ao lado de uma Igreja e um senhor de chapéu e acordeão está a cantar uma música que tem como refrão “No escurinho é que é bom.”
Do meu lado direito está um senhor que comprou uma rifa e acabou de ganhar uma forma vermelha para bolos, que tem um ar tão frágil que se soprar uma brisa desfaz-se. Do meu lado esquerdo, duas senhoras com bigode por fazer desde 1987 dançam uma com a outra.

A cada segundo que passa sinto que o sangue está a preparar uma manifestação onde reivindicará que eu me vá embora daqui, ou então emigrará do meu corpo. De certeza que a CGTP está por detrás desta reivindicação.

Há uma semana que estou na Serra da Estrela e há dias que anunciavam que hoje iria haver a festa do Senhor do Calvário.

Como sou um jornalista de investigação, já com 3 Pulitzers ganhos, e um Nobel a caminho achei que deveria investigar. Talvez até conseguisse descobrir o Bin Laden mascarado de pastor.

À uma da manhã saí de casa e comecei a dirigir-se à Igreja, onde há dias estava a ser montado um palco. À medida que me aproximava ia vendo cada vez mais carros com matrícula francesa, e um cheiro a perfume que por momentos me deixou com dúvida se não estaria numa Duty Free Shop.

Assim que cheguei ao local da festa, a primeira coisa que vi, para além de dois biliões de pessoas, foram papeis recortados e afixados nas paredes e que diziam: “A comissão de festas não se responsabiliza por qualquer acidente que possa ocorrer.”

Sim senhor. Um bom começo. Então e se cair o sino da igreja na minha cabeça de quem é a culpa? E se for atropelado por uma cabrinha? Segundo a comissão a culpa seria minha. Por isso, fui ao disco rígido da minha cabeça para me relembrar de todas as aulas que tive de defesa pessoal. A qualquer momento poderia ser obrigado a defender-me de um meteorito ou de uma galinha com brucelose.

Ao fundo ouvia uma música. Talvez fosse uma cassete pirata. Mas à medida que me aproximei do epicentro da festa percebi que vinha do palco. Mesmo colado à igreja em cima dele estava um senhor com um chapéu na cabeça e um acordeão nos braços. Parecia uma mistura de Quim Barreios com o Fernando Correia Marques.

Assim que acabou a música no “Escurinho é que é bom”, começou o discurso que me levaria a votar nele se se candidatasse à Casa Branca: “Ladies and gentlemans (dito assim mesmo), dedico a próxima música ao nosso técnico que caiu de um andaime, mas que já saiu do hospital. Apesar de estar de canadianas já se movimenta sozinho. Ah é verdade, a comissão de festa disse-me que alguém roubou parafusos das escadas do palco, e que pode cair a qualquer momento. Por isso, tirem os vossos filhos das escadas.”

Depois disto estava rendido. E aqui estou há meia hora a ver e ouvir o espectáculo do Dinis Rodrigues. Não resisto em colocar um vídeo da música que está a tocar agora. Baixem o som do computador porque está distorcido. Mas vejam com atenção a dança de um dos bailarinos. Em cima de uma plataforma de 3 metros de comprimento colocada entre o palco e por cima de uma das colunas faz um espectáculo de dança, que merecia ir para Ibiza. Reparem no saltinho gay, logo alternado com um pujante menear de ancas, em sinal de virilidade.

Se a festa continuar com este calibre que envergonharia os concertos de Viena, amanhã cá estará mais um post.

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