domingo, 26 de outubro de 2008

OS GATO FEDORENTO TÊM GRAÇA?!

É oficial. Finalmente chegou a Portugal a radiação atómica que em 1986 saiu do Reactor 4 de Chernobyl. Preparem-se porque brevemente vão começar a nascer caudas nas nossas costas, espigões nos joelhos e cairão bolotas de dentro dos ouvidos. O que eu gostava mesmo é que os meus movimentos fizessem barulho, estilo ninja, mas creio que na altura de Chernobyl isso ainda não fazia parte dos efeitos secundários. 

2008 foi o ano em que oficialmente começámos a sofrer os sintomas de envenenamento dos neurónios por parte da radiação atómica. Tudo começou com os Lobos. A nossa equipa de rugby, esse orgulho nacional que até deve ter feito com que Camões se levantasse do reino dos mortos e chorasse de tanta emoção ao ver os jogos. 

A equipa portuguesa perdeu todos os jogos. Não atingiu um único objectivo a que se tinha proposta, no entanto, os jogadores e o treinador estão ao nível dos Deuses. E não daqueles rascas. Deuses bastardos e perfilhados que estão no Olimpo por favor, mas que todos comentam e ninguém quer sair à noite com eles porque têm vergonha. 

Eles foram elevados ao nível de Zeus. Os jogadores fazem anúncios na televisão e até li num jornal que os políticos deveriam seguir o exemplo de liderança do treinador da selecção. Mas para além de cantarem o hino como se estivessem na casa de banho com prisão de ventre, o que mais eles fizeram para se tornarem nos heróis da pátria? 

No entanto a histeria invadiu o população portuguesa e só por escrever isto posso correr sérios riscos de acordar de manhã e encontrar a minha cabeça cortada e metida dentro de uma mala. E perguntam vocês, como conseguirei isto? Fácil, por causa das radiações cresce uma outra cabeça, ao cortarem a original, e quando encontro a original, entro em pânico e com a pressão da descoberta as duas cabeças rebentam ao mesmo tempo. Não vai ser um espectáculo bonito e tenho alguma pena da pessoa que terá de limpar tudo. 

E este foi o primeiro sinal que estava a começar a existir uma histeria colectiva em 2008, em que ninguém é capaz de saber onde começou, mas que ninguém consegue contrariar. 

Mas nessa altura ainda pensei que seria algo passageiro. Que a poluição das fábricas de Sines levasse rapidamente as radiações atómicas para as Berlengas, e aí seriam as gaivotas a ter alucinações. Desde que não se transformassem em gaivotas Kamikaze  em que chocariam com os turistas nas praias de Peniche, tudo bem. 

Mas com a nova temporada do Gato Fedorento, confirmo que as radiações já penetraram no sangue da maioria dos portugueses. Alguém é realmente capaz de dizer que os Gato Fedorento têm graça? Ou será que quem tem graça é apenas o Ricardo Araújo Pereira? Lembram-se de algum sketch sem o Ricardo Araújo Pereira que tenha realmente graça? 

Antes de começarem a deitar tomates para o ecrã na esperança que cheguem até mim, leiam com atenção: 

Portugal vive a histeria parte 2 de 2008. Não há almoço à segunda feira onde as pessoas não  estejam a comentar o Gato Fedorento de domingo. De como foi mais divertido do que todos os episódios dos Monty Python e Seinfeld juntos. Não há ninguém que tenha a coragem de se levantar e dizer “Eu odiei. Até a minha lesma amestrada é mais divertida.” 

Eu compreendo. É o mesmo que numa manifestação de Hammerskins aparecer um angolano e dizer que acabou de ver um filme pornográfico gay com o Hitler e um cabo verdiano. 

Mas é preciso termos coragem. Os Gato Fedorento não têm graça. O Ricardo Araújo Pereira tem muita graça. Realmente é a única pessoa, desde o Herman José dos anos 80, que em Portugal diz algo que faça alguém poder sufocar de riso. 

Só que os Gato Fedorento são como as Pussycat Dolls, no dia em que a vocalista se for embora, as restantes desaparecem, para nunca mais serem encontradas. 

O Ricardo Araújo Pereira é um fabuloso criador de personagens, faz brilhantes caricaturas de personalidades e tem timing de comédia. Mas sobretudo tem um aspecto físico de comédia. E isso não se aprende, ou se tem, ou não se tem. Infelizmente nem todos nascemos com ele. Eu também gostava de nascido Britney Spears, mas não nasci e não vou andar pela rua de mini saia e maminhas à mostra a cantar: uhhh baby uhhh. 

Globalmente ele é brilhante. Só que os outros três, que podem ser excelentes pessoas, dividem-se em: 1) Dois deles sabem “não temos graça nenhuma, mas estamos a aproveitar a boleia enquanto pudermos”; 2) Um deles “sei que não tenho graça nenhuma, mas vou esforçar-me por ter…”. Só que não tem. 

Globalmente os quatro não funcionam. Os outros três ao lado do Ricardo Araújo Pereira tiram-lhe força. São o Kryptonite dele. 

Depois de ter visto por inteiro os três episódios do programa da SIC, ainda fico espantado como alguém pode dizer que são brilhantes e a segunda chegada de Deus na Terra. Os textos estão cheios de frases feitas dos anos 80 e os sketches raramente terminam com um punch line. A única salvação deles são as imitações do Ricardo Araújo Pereira. E parece-me que as pessoas tomam a parte pelo todo e esquecem-se dos restantes 90% do programa que parecem uma anedota que poderia ter vindo da boca do António Sala nos anos 80. 

O que é que acham? E por favor não me enviem nenhum vírus pelo computador, nem contratem um dragão para vir chamuscar a minha casa. Obrigado.

PS Comentários: Maria: podes tratar tu por, senhor dr, ou mestre macro-biótico, como quiseres; Dora: sim, também gostei muito do papel higiénico com Sudoku, se bem que preferia um com o “descubra as diferenças”, com lápis incluído; Joana: se tivesse ido aí teria avisado ;-); Filipa: adorei a sugestão, e será que eles irão fazer um para cuecas?; Escrava: se fosse eu compraria a roulotte e faria dela um vaso.


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