domingo, 8 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 2

(continuação do post de sexta feira)


As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 2


No dia seguinte a ter escrito todo o esqueleto do novo livro tinha um grande problema. Não do tamanho da estátua do Marquês de Pombal, mas algo que se aproximava do tamanho do Empire State Bulding: o livro ia passar-se durante a ditadura. Algures entre 1950 e 1970.


Ia ser o primeiro livro, que escreveria, que decorreria numa época em que eu ainda nem sequer fora concebido. Ou seja, teria de fazer pesquisa propositada. Normalmente todos os meus outros livros tinham apenas experiências que eu vivera, ou que me tinham contado, em épocas que eu conhecia bem.


Neste novo livro poderia estar perante um fracasso tipo Space Shuttle. Talvez tenha sido esse medo de falhar numa contextualização temporal que sempre me levara a escrever sobre décadas que eu conhecia bem.

Solução: falar com o meu pai. E por várias razões:


1) Ele tinha vivido essa época, tinha ido à guerra em Angola, e lutara contra a ditadura;

2) O meu avô fora um editor muito importante, durante os anos da ditadura, tendo sido preso algumas vezes e participado em manifestos para a instauração da democracia;


Não só o meu pai iria ser o meu contextualizador da época, como mais tarde vim a perceber que muitas das histórias que se passaram com ele e com o meu avô eram demasiado ricas para não serem utilizadas no livro.


Obviamente que devido a este meu passado familiar, encontrava-me bastante familiarizado com o que acontecera durante a ditadura, mas faltavam os pormenores. E foram eles que o meu pai me foi dando ao longo de dezenas de sessões de várias horas.


Esses seriam os pormenores que iriam colorir todo o esqueleto que eu tinha criado. O esqueleto sobre uma história de amor passada na ditadura. A história de um amor impossível, mas que seria perfeita em 2009.

(to be continued)
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