quarta-feira, 11 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 5

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(continuação do post de terça-feira)

As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 5

Ao mesmo tempo que escrevia, sempre que regressava de casa do meu pai vinha mais pesado uns 10 quilos. Nos meus braços eram depositados livros, revistas, jornais e dvds sobre a ditadura. Desde os primeiros minutos até à entrada dos tanques no Largo do Carmo.

Ao mesmo tempo que escrevia, ia lendo, vendo vídeos e pesquisando, e isso ia enriquecendo cada vez mais a história. Cada hora que passava escrevia mais páginas e ia batendo o meu recorde do número de páginas escritas por dia.

Durante seis horas de seguida teclava tanto que os meus dedos devem ter perdido uns milímetros.

Ao fim das habituais seis horas diárias, sem um minuto de descanso, sentia sempre a necessidade de entregar os meus neurónios a massagistas tailandesas.

Ficava com a cabeça completamente queimada, ia para a cama, e poucas horas depois (quem me segue habitualmente no twitter sabe que eu durmo por semana aquilo que uma pessoa normal dorme numa noite, vivendo sempre em jet lag) acordava cheio de vontade de pegar na história. Mas tinha de manter o ritual. Falar com o meu pai, ler livros sobre a época, ver vídeos sobre a época, pesquisar na internet e só depois, quando já estava escuro é que começava a teclar.

Obviamente que durante esse tempo ia ligando para a Torre do Tombo para saber se já havia alguma resposta sobre os documentos que eu pedira. A resposta era sempre a mesma "Os pesquisadores estão com muito trabalho e ainda não chegaram a esse processo."

Nessa altura pouco me importava com isso. A história já existia. A história estava praticamente toda feita. Os documentos que viesse a descobrir apenas poderiam complementar algo que tivesse escrito.

Quando estava já com cerca de 200 páginas escritas aconteceu aquilo que eu nunca pensei que me viesse a acontecer…

(to be continued)
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