quinta-feira, 12 de março de 2009

AS ORIGENS DA PRAIA DA SAUDADE - PARTE 6

www.franciscosalgueiro.blogspot.com


(continuação do post de quarta)



As origens de A PRAIA DA SAUDADE - parte 6


Sabem aquela sensação que se tem quando vemos uma namorada pela última vez. Aquele momento em que depois de se ter acabado, e depois da última palavra sabe-se que nunca mais se vai ver aquela pessoa, apesar de não se verbalizar isso?


Tal aconteceu-me uma noite em casa do meu pai. Depois de mais uma sessão, eu sabia que elas não iriam voltar a existir. Apesar disso, despedimo-nos marcando mais uma sessão.


Mal cheguei a minha casa e comecei a teclar. Tão depressa e tão focado como nunca me tinha acontecido.


Eram umas 3 da manhã. Estava cansadíssimo. Não me apetecia teclar. Liguei o computador por descargo de consciência e pensei "vou só escrever uma ou duas páginas."


Assim que coloquei o primeiro dedo no teclado senti-me possuído por um espírito (espero que ele apareça muitas vezes porque nunca me tinha sentido tão inspirado a escrever). Sentia que o meu corpo estava a ser usado como meio para a história aparecer escrita no computador. Era apenas para isso que ele servia. A história existia e precisava que alguém a escrevesse. Nessa altura ainda não sabia se faltaria muito para ser acabada.


Escrevi, escrevi e escrevi. A minha cabeça via o filme da parte final da história a decorrer como se não fosse eu a criá-la. Como se eu fosse um espectador passivo de algo que alguém me estava a contar.


A banda sonora do filme era o barulho dos dedos a bater nas teclas (quando é que alguém faz um teclado que não pareça uma rebarbadora?). A história começou a desenrolar-se naturalmente e fui envolvido por uma tristeza enorme. Era uma tristeza que previa que a história estava a acabar, mas ao mesmo tempo uma tristeza por aquilo que iria acontecer no final.


Eu queria parar de escrever para poder saborear a escrita durante mais alguns dias, mas ao mesmo tempo sabia que não podia parar. Ela tinha de sair exactamente da maneira que estava a sentir naquele momento.


À medida que me fui aproximando no final comecei a chorar. Lutava contra a s lágrimas porque os meus olhos não têm limpa para brisas, mas ao mesmo tempo perguntava-me como podia estar a chorar com uma história escrita por mim…



(to be continued)


Ps comentários: Dora: pois parece que sim, lá foram umas lágrimas; Moonlight: pelo menos três toneladas de lenços; Zana: é o chamado cliffhanger; Maria: sim, é muito importante e às vezes as pessoas não dão o devido valor à liberdade que têm e acham que no passado também seria assim; Verida: nem sei bem o que lhe diga, apesar de eu não me emocionar com assuntos familiares, a história é mesmo… (não vou dizer o resto); Joana Godinho: sim, este é num tom bem mais sério, mas a história flui.

Enviar um comentário